Por uma releitura da independência do Brasil

Por Albino Rubim 

A Independência do Brasil para a quase totalidade dos brasileiros está representada no quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo, pintado em Florença, 66 anos depois do acontecimento de sete de setembro de1822. Esta versão idílica, também conhecida como “Grito do Ipiranga”, sintetiza a visão da independência ensinada aos brasileiros. Uma independência sem luta. Um mero ato de Dom Pedro, filho do rei de Portugal. Em suma: uma transição pelo alto, como dizia Carlos Nelson Coutinho, sem a participação ativa da população.

A Independência do Brasil para a quase totalidade dos brasileiros está representada no quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo, pintado em Florença, 66 anos depois do acontecimento de sete de setembro de 1822. Esta versão idílica, também conhecida como “Grito do Ipiranga”, sintetiza a visão da independência ensinada aos brasileiros. Uma independência sem luta. Um mero ato de Dom Pedro, filho do rei de Portugal. Em suma: uma transição pelo alto, como dizia Carlos Nelson Coutinho, sem a participação ativa da população.

Nós baianos sabemos que a história da Independência do Brasil felizmente não se reduz a este quadro idealizado. Na Bahia, a luta pela independência durou mais de um ano, envolveu batalhas sangrentas e teve a participação ativa de índios, negros e brancos, de mulheres e homens, de escravos e homens livres, de pessoas de todas as classes sociais. O 18 de fevereiro em Salvador, o 14 de junho em Santo Amaro, o 25 de junho em Cachoeira, todos acontecidos no ano de 1822, e o Dois de Julho de 1823 em Salvador são datas expressivas desta longa e heroica luta dos baianos pela independência do Brasil.

As desavenças iniciais entre tropas de portugueses e de brasileiros que ocorrem Salvador no dia 18 de fevereiro de 1822 se transformaram depois em combates declarados e encarniçados, em especial após o grito do Ipiranga e naquelas regiões de maior concentração de tropas do exército português, a exemplo das então províncias: Bahia, Cisplatina, Grão Pará, Maranhão e Piauí. Mas em nenhuma destas províncias a luta teve a intensidade da Bahia. Nela a independência do Brasil foi consolidada.

O reconhecimento do Dois de Julho como data nacional, a partir do projeto da deputada Alice Portugal, deve ser encarado como momento relevante e ponto de partida para necessária releitura da história da independência no Brasil. Em lugar da versão simplificadora que reduz tudo ao grito dado nas margens do riacho Ipiranga, a independência do Brasil requer uma visão mais complexa, abrangente e brasileira, porque não restrita ao território paulista.

A Bahia pode e deve dar mais esta importante contribuição ao processo de independência do Brasil. No passado através da guerra de libertação. No presente por meio de outro tipo de luta, não violenta, mas de vital importância: a releitura simbólica da história da nossa independência. Por certo, devemos buscar aliados neste processo de revisão da história do Brasil. Os estados brasileiros, nos quais ocorrem lutas, são naturais companheiros de jornada. Com eles e com outros estados devemos buscar rever a história de nossa independência. Atos e atividades conjuntas são essenciais para viabilizar esta revisão, que, por certo, vai encontrar muitas resistências dos setores mais conservadores.

O Governo da Bahia, desde 2007, está empenhado na valorização da independência. A transformação do hino ao Dois de Julho no hino oficial da Bahia; a transferência anual da capital para Cachoeira no dia 25 de junho; o cuidado com o cortejo e a produção e divulgação de materiais sobre o Dois de Julho são exemplos desta atitude e deste compromisso.

Outras medidas estão em curso para fortalecer esta nova visão, tais como o mapeamento das comemorações da independência no estado da Bahia; a ampla divulgação da nova e complexa visão na Bahia, no Brasil e mesmo no exterior; a produção de obras de comunicação e de cultura, como jogo eletrônico e quadrinhos, e a conexão das lutas pela independência no Brasil com o que ocorreu, quase simultaneamente, em toda a América espanhola. Este último procedimento toma fôlego com a realização do Seminário Internacional Independências nas Américas que, entre 29 de julho e 1º de agosto, em Cachoeira e em Salvador, reúne estudiosos brasileiros e estrangeiros para refletir sobre os processos de independência do Brasil e da América espanhola.

O desafio colocado para os baianos – Governo, sociedade civil e comunidade cultural – não é pequeno: transformar efetivamente o Dois de Julho em uma data conhecida e reconhecida por todos os brasileiros. Isto significa, nada menos, que rever de modo radical a história da independência do Brasil.

Antonio Albino Canelas Rubim é Secretário de Cultura do Estado da Bahia e professor da UFBA.

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2 de Julho : Uma data Nacional

 Por Sérgio Guerra        

A recente assinatura da presidenta Dilma reconhecendo o 2 de julho como uma “Data Nacional”, da estatura do 7 de setembro e outras similares, representa uma vitória do povo baiano e brasileiro, sujeito fundamental na construção da Independência do Brasil, cuja luta contra o julgo colonial português se inicia em junho de 1822, nas heróicas vilas e cidades do Recôncavo.

Após ser proclamada, pelo Príncipe Regente Dom Pedro, já então nomeado “Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil”, em 7 de setembro deste mês ano, mesmo assim, só vai se consolidar com as famosas vitórias do exército nacional, formado por brancos, negros e índios, com suas várias matizes de caboclos, cafuzos e mamelucos, irmanados nas trincheiras de Itaparica e Pirajá, culminando no desfile pela Estrada da Liberdade das tropas libertadoras, comemorando a derrota  definitiva do exército colonial português,  “neste dia de glória”, o 2 de julho de 1823.

Com justas razões a repetição desta entrada vitoriosa na cidade do Salvador se constitui uma justa (ré e bebe) comemoração do povo baiano, momento de congraçamento da população começando pelas madrugadas nos terreiros de candomblé e prossegue com as várias alvoradas nos bairros, prolonga-se com a missa solene na Catedral Basílica e termina, ou continua ainda, com os festejos “aos pés do caboclo” no Campo Grande, com novos e grandiosos encontros por toda a cidade.

Esta grande celebração cívica adquiriu, nos últimos anos da ditadura, um caráter de grande mobilização democrática inspirada no próprio hino desta data que assegura, com justa razão, que “…nunca mais o despotismo regerá nossa nação, pois com tiranos não combinam, brasileiros corações…”. Assim, após as manifestações de protesto e vaias às autoridades na saída dos caboclos, no Largo da Lapinha, seguíamos até o Terreiro de Jesus, onde após novos confrontos com a repressão policial, fardada ou a “Savack” de ACM, nos espalhávamos para comemorar as justas vitórias da “resistência democrática” contra a ditadura e a opressão.

Deste modo se sobressaía uma (bebe?) comemoração especial pelo motivo de aniversário de Zé Olívio que “espertamente” escolhera este dia para tal evento e era uma excelente oportunidade para celebrarmos com este valoroso companheiro a vida e a vitória das nossas conquistas, dentre elas se destacando a conquista da democracia, da anistia, das diretas já, da constituinte, e da fundação do PT e da CUT, instrumentos fundamentais da construção do Brasil que queremos. É por isso que ainda hoje, todo ano, “…neste dia de glória”, tomo uma e brindo. “Valeu Zé!”

Sérgio Guerra é professor de História. Escritor, Memorialista,

Sindicalista e, sobretudo, Amigo, Companheiro e Eterno Fã de Zé Olívio.

Programação Oficial 2 de Julho de 2013

Dia 30/06/13 (domingo)

Saída do Fogo Simbólico às 07:30, da Codade de Cachoeira, passando pelas cidades de Saubara, Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde , Candeias, Simões Filho com destino ao bairro de Pirajá em Salvador, conduzido pelos Soldados do Exército e Atletas Baianos.

Dia 01/02 ( segunda-feira)

10:00
“TE DEUM” na Catedral Basílica, celebradopor Dom Murilo Sebastião Krieger, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

16:00
Chegada do Fogo Simbólico – Largo de Pirajá
Acendimento da Pira

Hasteamento das Bandeiras por Autoridades, com execução do Hino Nacional executado pela Banda De Música da Polícia Militar da Bahia.

Brasil – Exm. Senhor Prefeito de Salvador Dr.Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto.

Bahia – Exm. Senhor Prefeito de Simões Filho, Dr.Eduardo Alencar

Salvador – Exm. Senhor Secretario Municipal de Desenvolvimento Turismo e Cultura, Dr.Guilherme Bellintani.

Colocação de flores no túmulo do general Labatut, pelos Exm. Senhor Prefeito de Salvador Dr.Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto e demais autoridades.

17:00
Encerramento da Solenidade.

Dia 02/07 (terça-feira)

06:00 – Alvorada com queima de fogos no Largo da Lapinha.

08:00 – Organização do Cortejo Cívico

09:00 – Hasteamento das Bandeiras por Autoridades, com execução do Hino Nacional pela Banda De Música da Marinha do Brasil.

Brasil – Exm. Senhor Governador da Bahia, Dr. Jaques Wagner

Bahia – Exm. Senhor Presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, Dr. Marcelo Nilo

Salvador – Exm. Senhor Prefeito de Salvador Dr.Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto.

IGHBA – Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Professora Consuelo Pondé de Sena.

Colocação de Flores, pelas autoridades, no monumento Labatut

Entrega dos Carros Emblemáticos – Discurso Exm. Senhor Prefeito da cidade do Salvador Dr.Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto.

Execução do Hino ao 2 de Julho
Banda De Música da Marinha do Brasil.

09:30 – Início do Cortejo Cívico

Homenagem aos Heróis da Independência : Breve parada em frente ao Convento da Soledade.

Homenagem da Ordem Terceira do Carmo: Breve parada em frente à Ordem, para pronunciamento de um mebro da instituição.

Homenagem da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos : Breve parada em frente à Igreja.

Esperando o Caboclo : Apresentação de grupos de percussão, clarins, manifestação cultural – Casa 12, Largo do Pelourinho, Sede do Centro de Culturas Populares Identitárias/SecultBa.

Apresentação do IPACORAL, na sacada da casa 10, Pelourinho.

11:30 – Recolhimento dos Carros Emblemáticos dos Caboclos nos caramanchões da Praça Thomé de Souza.

14:00 – Organização do Cortejo Cívico.

15:00 – Homenagem da Câmara Municipal de Salvador, Vereador Paulo Câmara.

15:30 – Início do Cortejo Cívico.

16:30 – Previsão de chegada dos Carros Emblemáticos e das Autoridades ao Campo Grande.

Obs. No percurso haverá uma saudação ao Caboclo e a Cabocla em frente a Biblioteca Anísio Teixeira – Ladeira de São Bento.

Solenidades Previstas no Campo Grande :

Hasteamento das Bandeiras por Autoridades, com execução do Hino Nacional pelas Bandas De Música da Marinha, Exército, Aeronáutica e Policia Miltar.

Brasil – Exm. Senhor Governador da Bahia, Dr. Jaques Wagner

Bahia – Exm. Senhor Presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, Dr. Marcelo Nilo

Salvador – Exm. Senhor Prefeito de Salvador Dr.Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto.

Colocação de Coroas de Flores no Monumento ao 2 de Julho, pelas Autoridades presentes.

Execução do Hino ao 2 de Julho, pelas Autoridades presentes.

Acendimento da Pira do Fogo Simbólico, por um atleta.

Execução do Hino Nacional pelas Bandas De Música da Marinha, Exército, Aeronáutica e Policia Miltar.