2 de Julho : Uma data Nacional

 Por Sérgio Guerra        

A recente assinatura da presidenta Dilma reconhecendo o 2 de julho como uma “Data Nacional”, da estatura do 7 de setembro e outras similares, representa uma vitória do povo baiano e brasileiro, sujeito fundamental na construção da Independência do Brasil, cuja luta contra o julgo colonial português se inicia em junho de 1822, nas heróicas vilas e cidades do Recôncavo.

Após ser proclamada, pelo Príncipe Regente Dom Pedro, já então nomeado “Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil”, em 7 de setembro deste mês ano, mesmo assim, só vai se consolidar com as famosas vitórias do exército nacional, formado por brancos, negros e índios, com suas várias matizes de caboclos, cafuzos e mamelucos, irmanados nas trincheiras de Itaparica e Pirajá, culminando no desfile pela Estrada da Liberdade das tropas libertadoras, comemorando a derrota  definitiva do exército colonial português,  “neste dia de glória”, o 2 de julho de 1823.

Com justas razões a repetição desta entrada vitoriosa na cidade do Salvador se constitui uma justa (ré e bebe) comemoração do povo baiano, momento de congraçamento da população começando pelas madrugadas nos terreiros de candomblé e prossegue com as várias alvoradas nos bairros, prolonga-se com a missa solene na Catedral Basílica e termina, ou continua ainda, com os festejos “aos pés do caboclo” no Campo Grande, com novos e grandiosos encontros por toda a cidade.

Esta grande celebração cívica adquiriu, nos últimos anos da ditadura, um caráter de grande mobilização democrática inspirada no próprio hino desta data que assegura, com justa razão, que “…nunca mais o despotismo regerá nossa nação, pois com tiranos não combinam, brasileiros corações…”. Assim, após as manifestações de protesto e vaias às autoridades na saída dos caboclos, no Largo da Lapinha, seguíamos até o Terreiro de Jesus, onde após novos confrontos com a repressão policial, fardada ou a “Savack” de ACM, nos espalhávamos para comemorar as justas vitórias da “resistência democrática” contra a ditadura e a opressão.

Deste modo se sobressaía uma (bebe?) comemoração especial pelo motivo de aniversário de Zé Olívio que “espertamente” escolhera este dia para tal evento e era uma excelente oportunidade para celebrarmos com este valoroso companheiro a vida e a vitória das nossas conquistas, dentre elas se destacando a conquista da democracia, da anistia, das diretas já, da constituinte, e da fundação do PT e da CUT, instrumentos fundamentais da construção do Brasil que queremos. É por isso que ainda hoje, todo ano, “…neste dia de glória”, tomo uma e brindo. “Valeu Zé!”

Sérgio Guerra é professor de História. Escritor, Memorialista,

Sindicalista e, sobretudo, Amigo, Companheiro e Eterno Fã de Zé Olívio.

Anúncios